Contrasenso


27/04/2007


Fim do Contrasenso

Meus amigos e queridos leitores. Depois de dois anos e onze meses, estou encerrando as atividades neste blog. Mas tenham calma, não vou deixar de escrever, apenas não vou mais escrever neste espaço. Devido a problemas de relacionamentos entre o Universo Online e minha pessoa, resolvi por uma basta neste relacionamento desgastante que vinha me causando enxaquecas constantes.

Como a fila anda, criei um novo espaço, um novo blog para continuar publicando os meus textos e minhas loucuras. O link deste novo espaço encontra-se aqui no Contrasenso mas acho que o Contrasenso só viverá até o dia 03/05/2007. Portanto anotem o novo enedereço(rsrsrsrs) http://orlanefalcao.blogspot.com

O nome do novo blog é "Tudo novo de novo" já que se trata de um recomeço mas com os velhos vícios. Espero encontrá-los por lá e quem sabe conhecer pessoas tão especiais quanto as que encontrei aqui no Contrasenso. Agradeço a todos pelo carinho e pela paciência. Bem como estou de mudança, vou deixar um alista de presentes para o "chá de casa nova", ok? Visitem logo o Tudo novo de novo.

Escrito por Orlane Falcão às 11h24
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20/04/2007


Da série “Quem não morre não vê Deus” : É simples!

Como diria um grande filósofo e amigo: “Tudo na vida tem 50% de chance de dar certo”. Você ganha na loteria, ou não. Você consegue beijar a Juliana Paes, ou não. Você come Frut Loops com leite no café da manhã separando todos os aneizinhos rosas no canto direito do prato pra comer no final porque é mais gostoso, ou não.

Metade-metade. Não tem mistério.

Depois que você descobre que tudo se resume a um simples código binário as coisas realmente ficam mais simples.

Relacionamentos, por exemplo. Raciocinemos baseados em ciência pura : astrologia.

No zodíaco existem 12 signos. Considerando os casos mais ortodoxos onde temos 2 indivíduos envolvidos, encontraremos 144 tipos de relação (12 X 12, se você não sabe o porquê da multiplicação, acredite em mim, eu era muito bom em matemática no colégio). Sem contarmos os ascendentes, claro. Ou seja, quando você conhece alguém, das 144 relações possíveis ou você se dará bem ... ou não. Ponto final.

Isso se você acreditar em astrologia. Se não acreditar, você faz parte do 50% que pararam de ler o texto meio do último parágrafo. Ou não.

Na verdade eu também não acredito muito nisso. Sou de touro e vocês sabem como são os taurinos, né?!

Enfim, poderia continuar o texto com mil exemplos a fim de comprovar esta teoria, mas como ela é simples fico por aqui.

Apreciem com moderação. Ou ...

P.S.: A série "Quem não morre não vê Deus ..." traz crônicas criadas num momento de "branco" total, onde qualquer coisa que me passa pela cabeça é o tema da vez.

Escrito por Orlane Falcão às 15h53
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05/04/2007


Tara por mamão II

Recapitulando...

- Cara, que isso? Desde quando você tem atração por mamão?

- Bem...

- Como assim, “bem”?

- É que vou te explicar pra você.

- Meu Deus... Eu pensei que você estava brincando.

- A minha caída por mamão começou logo no início da puberdade, saca?

- Não... não saco nada.

- Cara, não é nada traumático. Relaxa.

- Eu estou é com medo de você.

- Fica tranqüilo, você não tem cara nem cabeça de mamão.

- E mesmo que tivesse, eu seria um mamão macho.

- Sim... sim... Posso explicar como tudo começou?

- Pode, claro. Mas fale baixo. Vai que alguém nos ouve.

- Tudo bem... Eu falava que tudo começou na minha puberdade. Não sei se você sabe, mas meu pai era feirante.

- Ele tinha barraca de frutas?

- Não! Ele tinha uma barraca de pastel com boas variedades. Só que, a barraca ao lado, era uma banca de frutas. Milhões de frutas. Maçãs, pêras, melancias, melões, abacaxis...

- E, claro, mamão!

- Sim. Mas não era um mamão qualquer, sabe? Era um mamão exótico, imenso, encorpado...

- Cara, não começa a fechar o olho assim não. Não se empolga.

- Relaxa... você tem que entrar na do mamão, meu.

- Eu o quê?!

- Não necessariamente entrar na dele, mas adentrá-lo, saca?

- Cara, muito estranho tudo isso. Diz que é uma brincadeira, uma pegadinha, sei lá.

- Pô, não é não, meu. É papo firme.

- Credo...

- E por falar em firmeza, o mamão não pode ser muito maduro também. Não há coisa pior que um mamão flácido.

- Daqui a pouco você falará que mamão tem celulites.

- Não chega a esse extremo.

- Ou que é melhor que mulher.

- Não exagera. Mas, dias desses, estava em casa com a Cilene e...

- Tô até com medo do que você vai falar.

- Bem... tivemos uma certa briga.

- Sei... sei... Mas não foi por causa do mamão não, né?

- Não... imagina. Mas o fato é que tive que dormir no sofá da sala e trancado, isolado do mundo.

- Pô, mas melhor que o chão frio da cozinha.

- É... verdade. Só que passei fome a noite, pois não tinha jantado.

- Credo que neurótica. Pra que trancar tudo? Medo de você dar uma escapulida na madrugada?

- Não, ciúmes mesmo.

- Como assim?

- Ela tem medo que eu a troque por um mamão.

Escrito por Orlane Falcão às 18h32
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23/03/2007


Tara por mamão

 

Estranho...

Esquisito, até.

Sabe aquela pessoa pacata, calma, que transparece muita lucidez em tudo o que faz? Então, assim é o Flávio.

Sujeito cem por cento. Bom de papo, sempre se deu bem com as meninas de sua época, um cara engajado em sempre estar e fazer moda. Cidadão culto. Ator coadjuvante de sua própria modéstia e simpatia.

Mas (sempre há um "mas", um "porém" na vida, percebem?), como de médico e louco, todos têm um pouco, no caso de Flávio não seria diferente. E, usando de minha parte médico, Porém creio que sua patologia seja a demência. Mesmo com o alto conhecimento em primeiros-socorros, não fazia com que carregasse o título de doutor.

Com sua mansidão ímpar, um belo dia começa a me falar de... de... certos problemas psicológicos, de certas manias cotidianas.

Tirador de sarro de primeira categoria, não acreditei muito. Achei que ele, fanfarrão nato, estava de brincadeira. Mas não era.

O fato é que o Flávio falava sério. Sério até demais.

Um dia, fomos ao supermercado fazer essas compras "de mês". E, entre carnes de boi, frango, danoninhos eis que, para minha surpresa, na parte de frutas ele pára e fica. Analisa. Não se move. E olha. E como olha.

- Que foi?

- ...

- Flávio?

- ...

- Cara, o que é que você tem? Acorda!

- Ahn... que?

- Como assim "que"? Cê tá dormindo?

- Não.

- Então vamos, oras.

- Cara... olha só que coisa mais linda isso aqui.

- O quê?

- Isso.

- Onde?

- Aqui. Você é cego?

- É que tem uma porção de coisas para ver.

- Ah, meu mundo pára quando vejo um assim.

- Como é que é?

- Olha só a cútis dele?

- Dele? Dele quem?

- Pô, não acredito!

- Eu que não acredito.

- Meu, olha só isso aqui.

- Você tá delirando, né?

- Mais ou menos...

- O que é que você olha? Não é pro...

- É sim! Olha só que suculência de mamão, olha!

- Como assim?

- Olha só o design arrojado dele...

- Meu Deus...

- A pele...

- Ai...

- O formato...

- Cara, que isso? Desde quando você tem atração por mamão?

- Bem...

Semana que vem continua

Escrito por Orlane Falcão às 18h40
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25/02/2007


Customs

Seu sonho era conhecer a América, quando teve oportunidade não desperdicou. Mesmo não dominando o idoma, sabia que como bom brasileiro daria um jeito. Ele se virava.

Quando chegou a imigracão entregou o passaporte ao funcionário e começou o interrogatório (traduzido aqui para melhor entendimento)

- Esta nos Estados Unidos com qual objetivo?
- Ahn?
- Negócios ou Turismo?
- Ahn?
- Veio trabalhar?
- Yes.
- Com que você trabalha?
- Ahn?
- Com que você trabalha? Você tem um visto de turismo, tem certeza que veio a trabalho?
- Ahn?
- Você fala inglês?
- Yes.
- Então me responda. O que veio fazer aqui?
- Mickey.
- Ok, então veio conhecer a Disney. Quantos dias pretende ficar?
- Yes.
- Não senhor, o senhor não me entendeu, quantos dias vai ficar por aqui. Quando vai voltar para o Brasil?
- No.
- COMO ASSIM NÃO?
- Yes?
- Quando meu senhor? Quando?
- Ahn?
- Olha, vou colocar para você uma permanência de 20 dias que é o padrão.
- No.
- Precisa de mais dias?
- No.
- Então vou colocar para 20 dias.
- No.
- O senhor acha que estou aqui pra brincadeira?
- No
- Então o quê?
- Mickey.
- Já chega, não estou aqui para isso. Vou chamar os guardas se você não parar de brincar. Vai continuar brincando?
- Yes.
- Você quem pediu, agora terá que se entender com as autoridades americanas, e espero que com elas ao menos demonstre um pouco mais de respeito pelo nosso país.
- Ahn?

Os oficiais chegaram e o deportaram. Ainda no avião, voltando para o Brasil pôde de soslaio enxergar o castelo da Cinderella.

Escrito por Orlane Falcão às 12h17
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16/02/2007


"Carnaval, carnaval. Eu fico triste quando chega o carnaval"

Ah, chegou o Carnaval. Época de festa de alegria, blocos, trio elétricos, azaração, desfiles, bailes e muito mais. Para quem gosta, é a época mais esperada do ano. Para quem não gosta, aproveita os quatro dias ou até a semana toda para viajar e descansar em algum lugar tranqüilo.

 

Mas independente do que se faça, no Carnaval as pessoas gostam se alegrar, parar alguns dias para ficar com amigos e fazer novos amigos. Quatro dias de sorriso no rosto.

 

Porém na atual situação brasileira, Carnaval é uma época mais para esquecer do que se alegrar. Esquecer do dia-a-dia, esquecer da política, esquecer da economia, esquecer do trabalho e esquecer da violência.

 

Nas páginas dos jornais do Brasil inteiro o que se são sempre as mesmas coisas. Parece que nem trocamos de governo, parece que nem trocamos de ano, parece que não queremos trocar de modelo de país.

 

A primeira manchete é do caso João Hélio, menino que foi arrastado por algumas pessoas insanas no Rio de Janeiro. Mas isso não é só coisa de carioca. Em São Paulo também tem estas coisas e até coisas piores. Não vivemos enjaulados em nossos apartamentos, casas e carros com vidros fechados, enquanto os bandidos estão soltos na rua.

 

A violência chegou num ponto tão crucial que temos que guerrear contra os traficantes e contrabandistas e agora também contra as milícias que querem proteger o povo. A polícia e o Estado terão muito trabalho e nós da população teremos que cobrar muita atitude e cobrar os políticos nas eleições. Violência é uma questão de vontade de resolver e até agora, nenhum político demonstrou vontade.

 

No lado da política e economia, tudo na mesma. Vamos pagar mais pelo gás enquanto o governo brinca de cortar o orçamento que eles mesmos fazem. Como é que se faz um orçamento para depois cortar? Não é mais fácil fazer direito da primeira vez?

 

Um plano maluco de crescimento que vai levar mais de um ano para sair do papel e que vai trazer pouco para nossa economia. Isso ficou intacto, enquanto o sistema de saúde vai ficar sem mais de 5 bilhões de reais. Tem gente que não aprende.

 

No congresso, os parlamentares brincam de mudar leis para deixar mais duras, mas esquecem que as leis que temos hoje não são aplicadas. E não fazem nada para mudar.

 

Mas é Carnaval. E é tempo de festa e de alegria. Alegria para quem vende drogas, alegria para quem rouba carros, alegria para quem está com os bolsos cheios de dinheiro desviado. Enquanto isso o Povão, brinca, pois como diria Chico Buarque: “Muita mutreta pra levar a situação, que a gente vai levando de teimoso e de pirraça, que a gente vai tomando que também sem a cachaça, ninguém segura esse rojão”

Escrito por Orlane Falcão às 14h02
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31/01/2007


Esqueci de colocar o título do texto abaixo...Agora vai:

Da série: "Posso entrar em sua vida?" - Marcelo e Marisa

Escrito por Orlane Falcão às 13h14
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Marcelo não é um cara muito normal, mas também não chega a ser louco. Ele é do tipo de pessoa que funciona melhor à noite. Pra gente assim, não tem horário melhor do que a madrugada pra se comprar livros. Logo ao entrar na sua livraria 24 horas preferida (a única da cidade) ele se depara com uma mulher bem atraente. Não chega a ser uma Fernanda Lima, mas pelo menos é uma mulher de verdade, não uma brincadeira de mal gosto criada pelos meios de comunicação de massa para fazer os homens sofrerem. Depois de um bom tempo observando-a ele não se contem. Se aproxima lentamente dela e diz:

- Oi, tudo bom?
- Er ... tudo ...
- ...

Marcelo nunca foi bom para fazer essas coisas. Pelo menos neste caso, ela se mostrava curiosa. Nem um pouco simpática, mas no mínimo, intrigada.

- Eu te conheço?
- Não. Mas eu queria te fazer uma pergunta ...
- Uñ ? - (típica palavra de quem não quer dizer mais do que “Uñ”, se é que vocês me entendem).
- Posso entrar na sua vida?
- Hãn?! - (agora sim, uma expressão bem mais enfática).
- Po-posso entrar na sua vida?
- Como assim?

Um longo silêncio, seguido de um suspiro do nosso amigo Marcelo :

- É assim ... Eu te vi logo que entrei aqui.
- Certo.
- Aí ... você estava andando tranquilamente, enrolando a ponta do cabelo como quem enrola a ponta do cabelo com os dedos, bem tranqüila.
- Faz sentido ...
- Magicamente, você parou ... colocou a ponta do seu cabelo na boca, como quem coloca a ponta do cabelo ... hmmm ... na boca, e pegou um livro do P.G. Wodehouse ...
- Obrigado, Jeev-
- Não, meu nome é Marcelo.
- O nome do livro era “Obrigado, Jeeves”!
- Ah sim ... eu sei.

Ela pareceu não ter gostado muito da resposta:

- Grr ... Bom, posso ir embora ou tem mais ?
- Você não me respondeu ainda ...
- O quê ?
- Se eu posso entrar na sua vida.
- Como assim? Você chega aqui, fala que me viu andando e comendo meu próprio cabelo, como quem come o próprio cabelo (!!) e aí então faz uma pergunta absurda dessas! Qual é o ponto?!
- Bom ... (longa pausa) ... se essa pergunta é tão absurda assim, talvez seja melhor VOCÊ não entrar na MINHA vida. Muito prazer. Tchau!

Esta, sem dúvida, foi a frase dita por Marcelo da forma mais tranqüila por toda a conversa. Sem pressa, ele se virou, se afastou e começou a folhear as revistas de arquitetura , o que apenas fingia fazer anteriormente.

Alguns momentos depois a moça ainda intrigada, que agora disfarçava folhear revistas de Tunning, decidiu se aproximar e disse:

- Claudecir ...

Ele, sem tirar os olhos sobre um artigo muito interessante sobre sofás “chaise-longs” retrucou :

- É Marcelo.
- Eu estou falando que o MEU nome é CLAUDECIR!
- HEIM?!
- Ah, parou de ler, né? Então ... Marisa, meu nome é Marisa.
- Po-podia ter me pedido pra parar de ler ... Estou em estado de choque, agora!
- (risos)
- Certo ... vou tentar apagar a figura do transexual mais atraente que conheci nos últimos tempos e voltar a pensar em você apenas como uma mulher.
- Que bom!
- E então ... Quer me falar algo, Marisa?
- Como assim ?
- Como assim o que ?
- Entrar na minha vida? O que você quis dizer com isso?
- O conceito do verbo “entrar” é relativamente compreensível, principalmente para pessoas com o QI mediano. Muitas vezes na Matemática temos dois grup-
- Opa, querido! Eu sei o que significa “entrar”.
- Viu?! Agora eu sei que você tem pelo menos o QI mediano da população. Parabéns!

Marisa fez aquela cara que aparentemente diz “bobinho!” mas que na verdade significa “você tá pensando que eu sou idiota, seu energúmeno!”, e depois perguntou:

- Sério! O que você queria quando me fez a pergunta?
- Por que vocês mulheres acham que as coisas significam mais do que realmente significam? “Que horas são?” não significa “Achei seu relógio interessante, mas essa aparência retrô da alça de vinil pode mostrar que inconscientemente sua infância foi marcada por um trauma de rejeição, personificado aqui, com uma das características mais marcantes do culpado pela sua rejeição, seu pai, reconhecido pela pontualidade.” : “Que horas são?” É apenas uma pergunta que tenta esclarecer a hora certa!

Sem se exaltar, mas no limite da provocação, em um tom em que se ambos estivessem na quinta-série a turminha gritaria “YEAAAAAAHHH!!!”, Marcelo respondeu, e continuou:

- Enfim, quis dizer exatamente o que te perguntei.
- Tá! Mas ... Você não poderia ter me dito ... Er ...
- “Você vem sempre aqui?”
- Não ... essa é muito batida, você não falaria isso ...
- “Ei, Pequena. Posso te pagar um drink?”
- Ótima frase. Pena que 50 anos atrasada. Acho que não ... sei lá! Você não poderia ter vindo com qualquer xavequinho minimamente aceitável?
- E o que esse xavequinho significaria “na misteriosa língua das mulheres”?
- “Oi, posso entrar em você?”

Só para esclarecer, amigo, quem disse essa frase foi ela. O papo está meio longo sempre é bom ajudá-lo com essas intervenções. Ele respondeu, um pouco desconcertado de início:

- C-Certo! Não que isso seja uma grande mentir-
- Ei, seu safado! - disse Marisa, dando aquele tapinha no ombro de Marcelo, daqueles que querem dizer “Preciso te recriminar perante a sociedade, mas você mandou bem nessa. Keep moving!”

- O fato é que antes de entrar em você - ao dizer isso, ele rapidamente protegeu o ombro - eu quero saber se você vale a pena. Ou seja : antes do ato físico, o mínimo de afinidade intelectual.
- Não seja cínico! Se eu te atacasse aqui e te puxasse pra transar no banheiro você iria sem pestanejar ...
- Olha ... num vou mentir pra senhor- outro tapa daqueles no ombro do nosso protagonista - mas, como você realmente me pareceu interessante, talvez algo além dessa divertida forma de entretenimento sexual pode ser experimentado.
- E tudo isso pelo jeito que eu coloquei o cabelo entre os lábios como qu-
- Quem coloca os cabelos entre os lábios! Isso!
- Só por isso?!
- Precisa mais do que isso?!
- Vocês homens são completamente loucos!
Marcelo fingindo uma conversa: - “Que horas são?” “Meia-noite e meia!”. Desculpa, nada de louco nessa conversa.
- O que fazemos então ... ?
- Olha, o banheiro está aqui do lado ... Andei reconsiderando minhas opiniões e como não quero parecer intransigente, acho, já que é sua vontade, que podemos trans-

Outro tapa, seguido de : - BESTA!

- São seus olhos ...
- Vamos lá então ... Como eu faço pra deixar você entrar na minha vida?
- Pode começar me dando seu telefone.
- Ok! O número é ... - (para preservar a privacidade de nossa querida personagem, não transcreverei aqui o número, mas garanto, é fácil de se decorar).
- Muito bem! Está anotado. Tenho que ir agora, mas te ligo amanhã.
- Então tá.
- Ah, caso você não saiba: quando eu te ligar, você atende, ok? É assim que funciona.

Mais um tapa. Ele continua :

- Olha, acabaram de liberar o banheiro, tem certeza qu-
Desta vez ela só ameaçou o tapa. Marcelo, muito sério, fazia a pose em “T” do golpe final em Karate Kid.
- Vai embora logo, e vê se liga mesmo!
- Sim senhora!

E assim, começou a história do relacionamento entre os personagens desta crônica. Se deu certo ou não, nem eu sei ainda. Só posso dizer que mesmo sem que ambos soubessem, Marcelo já tinha entrado na vida de Marisa. E ninguém pode falar que ele não pediu.

Escrito por Orlane Falcão às 13h00
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11/01/2007


O 1º texto de 2007

É preciso saber sempre quando se acaba uma etapa da vida.
Se insistirmos em permanecer nela depois do tempo necessário, perderemos a alegria e o sentido do resto.
 
Fechando círculos, fechando portas ou fechando capítulos, como queiras chamar, o importante é poder fechá-los, deixar ir momentos da vida que vão se enclausurando.

Terminou seu trabalho?
Acabou a relação?
Já não mora mais nessa casa?
Deve viajar?
A amizade acabou?
 
Você pode passar muito tempo do seu presente  dando voltas ao passado, tentando modificá-lo...
O desgaste será infinito,  porque na vida você, seus amigos, filhos, irmãos, todos estamos destinados a fechar capítulos, virar páginas, terminar etapas ou momentos da vida - e seguir adiante.
Não podemos estar no presente sentindo falta do passado.
O que aconteceu, aconteceu.
Não podemos ser filhos para sempre, nem adolescentes eternos, 
 nem empregados de empresas inexistentes ou ter vínculos
com quem não quer estar vinculado a nós.
Os acontecimentos passam e temos que deixá-los ir!
 
Por isso, às vezes é  tão importante se esquecer de lembrar, trocar de casa, rasgar papéis, jogar  fora presentes desbotados, dar ou vender livros...
 
As mudanças externas podem simbolizar processos interiores de superação. Deixar ir, soltar, desprender-se...

Na vida ninguém joga com cartas marcadas - todos temos que aprender a  perder e a ganhar.
O passado passou: não espere que o devolvam.
Também não espere reconhecimento nem que saibam
quem você é.
 
A vida segue para frente, nunca para trás.

Se você anda pela vida deixando portas abertas nunca poderá se desprender, nem viver o hoje com satisfação.
 
Namoros ou amizades que não se fecham,
possibilidades de regresso a quê?
Necessidade de esclarecimentos, palavras que não
foram ditas, silêncios...
Se você pode enfrentá-los agora, que o faça!
 
Não por orgulho ou soberba,  mas porque você já não se encaixa ali, naquele lugar, naquele coração, naquela casa, naquele escritório, naquele cargo...
Você já não é o mesmo que foi há dois dias, há três meses, há um ano... Portanto, nada tem que voltar.
Feche a porta, vire a página, feche o círculo!
Você nunca será o mesmo, nem o mundo à sua volta, porque a vida  não é estática.
É para sua saúde mental, é ter amor por si mesmo, desprender-se do que já não está em sua vida. Lembre-se de que nada, nem ninguém é indispensável.  É um trabalho pessoal aprender a viver com o que dói, deixar-se ir.
É  processo de aprender a desprender-se.
E isso ajudará definitivamente a seguir para frente
com tranqüilidade.

Essa é a vida!

Escrito por Orlane Falcão às 22h35
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20/12/2006


Entrevista com o Papai Noel

PAPAI NOEL QUER SUA APOSENTADORIA

Por Ronivaldo Guilhermino

Da reportagem local - Pólo Norte

- Querido Papai Noel...

- Querido não, por favor. Soa muito falso.

- Tudo bem. É que só quis ser um pouco...

- Próximo. Pare com isso também. Sem essa pois não somos amigos e você nem me conhece direito. Fora que essa coisa de entrevista me cansa, entende? Vamos ser breves.

- É que tenho que seguir um roteiro antes do papo fluir. Tenho uma pauta a seguir.

- É que vocês não deixam o papo ficar gostoso. É sempre a mesma coisa: "Onde mora?"; "É casado?"; "Tem filhos?"; "Sempre faz frio lá?"; "A entrega esse ano aumentou?"; "Qual o seu signo?"; "Em quem votou na última eleição do Ártico?". Gente, eu sou uma pessoa normal.

- Nem tanto, Papai Noel... nem tanto.

- E tira esse papai também. Só Noel já tá bom.

- Tudo bem (eita cara fresco, eu hein). Mas digamos que você não é lá uma pessoa normal ou, ao menos, comum, não é?

- Como não?! Tenho telefone, e-mail, fax, mulher, filhos...

- Quantos filhos?

- Olha aí! Não disse que perguntaria o trivial?

- É que o público quer saber.

- Ah, eles lêem isso todo ano. Vamos mudar.

- Tudo bem. Minha pauta caiu. O que você sugere?

- Tanta coisa já caiu em mim também.

- Ok Noel... poupe-nos.

- É que meu saco anda meio caído.

- Papai...

- Estou com muitas entregas e o saco anda meio velho, saca?

- Saquei...

- Mas, então...

- O que?

- E as perguntas?

- Perguntas?

- Sim, a entrevista. Posso desabafar?

- Claro...

- Tô querendo pendurar o trenó. Cansei disso. Não tenho mais idade para essas viagens longas.

- Cansado?

- Sim... muito cansado, meu filho.

- Cansado do quê? Você só trabalha uma vez por ano e ainda diz que tá cansado?

- Como assim?

- Tá pior que congressista no Brasil que diz ser trabalhador e só comparece duas vezes por semana em plenário, pô. Isso quando vai. Agora, você, justo você, uma vez só no ano e quer parar?

- É. Eu cansei é dessa vida de entregas, de ler cartinhas, de responder essas cartas, dessas coisas todas. Cansei. Fora que há coisas impossíveis de ser dada.

- Ah é? Como o quê?

- Tenho até vergonha de dizer.

- Ah, todo mundo sempre tem um sonho esdrúxulo, não?

- Sim, muito "diferentes". Não sei onde essa garotada arruma tanta criatividade.

- Noel... não faça isso com as mãos. Essa coisa de aspas, sabe? É péssimo.

- Tudo bem. Cansei de montar os brinquedos também.

- Mas você tá reclamão, hein?

- Quero me aposentar!

- O que? Mas e as criancinhas? E todo esse folclore criado em torno de você? Como fica?

- Arrumem outro. Preciso de um substituto.

- Quem sugere?

- Sei lá. Eu pensei em Deus mesmo.

- Mas já conversou com ele?

- Sim, temos um papo direto e franco. Creio que não terá problemas.

- Mas e tempo? Ele terá tempo? E os brinquedos, ele mesmo os fará? E o trenó, vai emprestar pra ele?

- Olha... como ficará eu não sei, só sei que o Cara é onipresente (!) o que já facilita as coisas.

- Mas, Deus não se opôs? Disse que tudo bem?

- Na verdade não teve muita escolha. Eu me recusei e pronto. Não quero mais e acabou-se. Chega disso tudo. Fora que Deus é um cara mais competente.

- Certeza que ele dará conta?

- Bem... rapidez não é o forte dele, mas em menos de sete dias ele consegue.

Escrito por Orlane Falcão às 00h02
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02/12/2006


Seguro do carro

- Bom dia.
- Bom dia, com quem eu falo?
- Calabria. José Calabria.
- Como posso ajuda-lo senhor Calabria?
- Eu queria fazer o seguro do meu carro.
- Perfeito. Vou fazer algumas perguntas para traçar o seu perfil, certo?
- Certo.
- Qual o modelo do carro?
- Corsa, comum, 2004.
- Modelo e fabricação?
- Sim.
- Tem trio elétrico?
- Sim.
- Funciona?
- Lógico, porque o interesse?
- Por que se não funcionasse, nada de seguro. Qual a sua idade?
- Quarenta e dois anos
- O senhor mora sozinho?
- Não, com a minha esposa e meus dois filhos.
- Qual a idade deles?
- Ela, trinta e cinco. Os dois são gêmeos, vinte e quatro anos cada.
- Eles dirigem o carro?
- Nunca. Nem encostam. Deus me perdoe.
- O senhor guarda o carro onde durante o dia?
- Estacionamento da empresa.
- E durante a noite?
- Estacionamento no prédio.
- O Senhor sai muito?
- As vezes.
- E onde o Senhor deixa o carro?
- No manobrista, sempre.
- O senhor sabia que 50% dos manobristas estaciona os carros nas ruas ao invés de estacionamentos?
- Não. Vou tomar cuidado.
- O Senhor bebe muito?
- Qual a relação disso com o meu seguro.
- O senhor sabia que 40% dos acidentes de carro são provocados por motoristas alcoolizados?
- Não, mas vou continuar bebendo.
- Muito bem senhor, vou fazer a simulação do custo do seu seguro.

José Calabria era um homem muito paciente, depois que havia sido demitido teve que aprender a fazer tudo que a secretária dele fazia para ele. Pensava, devia ter dado aquele aumento. Eu estaria na vida boa ainda e ela não teria me denunciado.

- Pronto Senhor. São sete mil reais.
- ...
- Senhor?
- Isso é um terço do valor do carro.
- Sim, mas o senhor foi enquadrado no grupo de alto risco de sinistro.
- Como assim?
- O senhor bebe e usa o carro.
- Como é que é? É lógico que eu uso o carro.
- E bebe.
- Bebo muito pouco.
- E usa o carro todo dia. O caso do senhor é difícil, eu compreendo.

Escrito por Orlane Falcão às 15h02
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Carro novinho

Pois é gente...finalmente consegui comprar meu primeiro carro zero km. Tudo bem que não é nenhum esportivo de luxo como os que eu sonhava quando criança mas vocês não fazem idéia de quanto isso significou pra mim em termos de conquista pessoal. Passada a euforia inicial regressei a realidade e comecei a sentir uma dor muito forte em uma região muito sensível do corpo - o bolso. Que venham os boletos do Seguro, emplacamento, IPVA, acessórios...

Não se preocupem pois já tirei os plásticos dos bancos. Tem coisa mais sem futuro do que manter os plásticos no banco para dizer a todos que o carro é novo? Mas o cheirinho...hum, que delícia.

Escrito por Orlane Falcão às 14h59
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25/11/2006


Em tese

Por esses dias fui convidado a assistir uma série de defesas de teses. Convite esdrúxulo. Por isso, se algum amigo seu lhe convidar qualquer dia, invente uma dor de barriga homérica e fique na sua. Não vá! Arrependo-me amargamente. Pior, ainda tive que escrever uma matéria sobre o “evento”. E o dito cujo do professor queria que eu, por já ter uma gradação, já fizesse a minha tese baseado em outras teses.

Confesso que estava meio sem tesão para a coisa. A tese tem que vir acompanhada de muito tesão. Senão, a tese enrosca.

E, a tese enroscar é a coisa mais normal do mundo.

O famigerado escrito enrosca casamentos, amizades, namoros e noivados. É um verdadeiro destruidor de lares, senão o maior.

Certo amigo me disse, certa vez, que a mulher tolera tudo na vida, até traição, mas não suporta um homem que faça teses. Diz ele que, homem neurótico por tese, brocha e que não há viagra nem amendoim que dê tesão.

Não sei não... Mas começo a me preocupar com essas cosias...

Principalmente porquê a tese é pegajosa, chata. Todos que escrevem uma, tornam-se mais chatos. Já me imagino quando o meu dia chegar. Tenho certeza que não vou me agüentar olhar no espelho e nem escrever.

Ficarei com aquele pensamento: “A teses... tenho que escrever a teses... tenho que pensar na tese”.

Um colega que conversava comigo por esses dias, disse que a crônica é, só em tese, uma tese também. Uma tese suave, sossegada, despretensiosa.

Eu discordo.

A crônica não é tese nem em tese.

Inclusive, esse negócio de se falar “em tese” é um saco.

Geralmente advogados, juizes, promotores e afins são os que mais gostam de se utilizar do jargão tão chato quanto o trabalho.

Sabem aquelas pessoas que adoram falar com as mãos em aspas? ARGH! São pessoas desesperadas por falar “em tese” fazendo as aspas com as mãos.

Meu Deus... como são ridículas aquelas mãozinhas no ar. Em tese, claro.

Pior das teses, são aquelas compradas. Se um cidadão que se predispõe a fazer uma já é um inferno de gente, imagine o agiota das teses. Gente, um cara deve ser um porre de pessoa.

Sabem de uma coisa?

Agora entendi o porquê do meu amigo dizer que a crônica é uma tese, ele me acha chato.

Mas eu sei que a minha chatice é crônica. Em tese, claro.

Escrito por Orlane Falcão às 16h42
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11/11/2006


Gingando

Ele caminha, corre, atravessa o limite da linha sempre em busca do seu objetivo. Ele é guerreiro, aguerrido, companheiro e transpõe limites, enfrenta barreiras. Cai e se levanta. Gigante que ginga, engana mas não desiste. Insiste bravamente. É jogador.

E joga gingando, dançando, bailando como num balet, mas não com uma sinfonia. Sua dança é completada pelas palmas e tamborins da platéia que se inebria pela maestria, pois é maestro de suas jogadas, de seus improvisos acrobáticos. Ensaia uma pliè e continua a dançar, sem se cansar. Passo a passo, o dançarino envolve entrelaçando não só com as pernas, mas com o olhar desconcertante. É jogador.

É mágico. Tira da cartola lances inusitados de sua mente que gira num entretenimento ilusionista que não ilude, mas diverte. Deixa entretido aqueles que só sabem admirar o jeito simples, seus trejeitos imitáveis, sua malícia ímpar. Verdadeiros portadores passes de mágica. Incomparável. É jogador.

Só ele, num lapso temporal, é capaz de virar do avesso, de fazer das tripas um coração, de ser admirado e odiado, passando de vilão a herói, de conseguir driblar a Justiça que sempre está vendada em busca do seu objetivo que varia jogada a jogada. É um camaleão. É jogador.

Só ele, em sua essência, tem que trabalhar brincando, se divertindo, senão perde a pureza. E como caçoa. E como joga. E como zomba. Tem que ser malicioso, ser jocoso, despretensioso. Ser, o que mais sabe ser: jogador.

É poeta. Daqueles que ficam proseando com a zaga, mas já tem todo soneto prontinho na cabeça e só espera o lançamento para arremata-lo de vez e dedicar à amada a jóia da conquista. Canta versos só seus. É único. É jogador.

E como é capaz de proezas...

Consegue pedalar sem bicicleta. Rompe com regras da física e pára no espaço. É lembrado pelos seus feitos e não por aquilo que é. É múltiplo, plural, mas é um só em muitos corações. É jogador.

Atropela, pedala, embaralha sem cartear e, às vezes, blefa. Pois é jogador.

Alguém já sabe de quem estou falando???

Escrito por Orlane Falcão às 11h29
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28/10/2006


Offline

 Você falou com o Titi?
- Não, to away desde manhã resolvendo umas coisas por aqui.
- Ah ta.
- Porque?
- Sei lá, to preocupado.
- Que foi, aconteceu alguma coisa?
- Nada.
- Então o que?
- Ah estranho. Mandei um e-mail pra ele agora a pouco e não tive resposta.
- Deve estar ocupado. Viu o status dele?
- Então, veja você mesmo.
- Peraí.
- To perando.
- ...
- Viu?
- Caramba. Ele ta offline.
- Falei.
- Meu, será que aconteceu alguma coisa?
- Não sei. Só pode né.
- É. Mas o que? Será que ele está bem?
- Não sei. Até mandei um sms, faz uns vinte minutos e nem notificação de recebimento veio.
- Peraí, vou ligar pro Antônio.
- OK.
- ....
- ....
- Cara.
- Que foi?
- O Antonio falou que desde ontem a noite ele está offline.
- Caramba.
- Vou ligar pra polícia.
- Melhor né, será que aviso os pais dele?
- Melhor não. Até descobrirmos ao certo o que está acontecendo.
- Verdade.
- To ligando.
- OK.

_________________________________________________________________________

- Central de Polícia!
- Bom dia, eu preciso comunicar um desaparecimento.
- Pois não. Nick completo por favor.

Escrito por Orlane Falcão às 19h16
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